Dra. Fabiana OlivettiHepatologia
Dra. Fabiana Olivetti em consulta, conversando com uma paciente

Saúde do fígado Avaliação para transplante

Avaliação para
transplante hepático

O transplante não começa na cirurgia. Ele começa pela avaliação de quando essa possibilidade deve fazer parte do cuidado.

O transplante hepático é uma opção de tratamento para pessoas com doença hepática grave, especialmente quando ocorre descompensação e as demais estratégias terapêuticas já não são suficientes para controlar a doença. Em situações adequadamente selecionadas, o transplante pode proporcionar maior sobrevida, com recuperação da qualidade de vida.

Entender o momento · Avaliar o caminho

Entendendo a indicação

Meu médico falou em transplante. E agora?

Isso não significa que o fígado tenha parado de funcionar.

O transplante pode ser considerado em diferentes situações e em diferentes momentos da evolução de uma doença hepática.

Em pessoas com cirrose, determinadas complicações — como ascite, sangramento relacionado à hipertensão portal, encefalopatia ou deterioração da função do fígado — podem indicar que chegou o momento de discutir uma avaliação para transplante.

Determinados casos de carcinoma hepatocelular, insuficiência hepática aguda e outras doenças hepáticas também podem levar à indicação de avaliação em circunstâncias diferentes.

Ser encaminhado para avaliação de transplante não significa que o transplante será realizado naquele momento.
Significa avaliar se ele deve fazer parte do plano de cuidado.

Talvez você tenha chegado até aqui porque:

  • seu hepatologista mencionou pela primeira vez a possibilidade de transplante;
  • você já apresentou alguma complicação da cirrose;
  • seus exames mostraram piora da função do fígado;
  • foi diagnosticado um carcinoma hepatocelular;
  • você já foi encaminhado para um centro transplantador e quer compreender melhor o processo.

Por que o momento da avaliação é tão importante?

Avaliar para transplante e realizar o transplante são momentos diferentes.

O encaminhamento oportuno permite conhecer o paciente, avaliar a evolução da doença e identificar condições que precisam ser tratadas ou melhoradas enquanto se define se o transplante deverá fazer parte do plano de cuidado.

  1. Reconhecer
    o momento
  2. Avaliar
  3. Preparar
  4. Transplantar
    quando indicado

O objetivo não é antecipar uma cirurgia desnecessariamente.
É evitar que a discussão sobre transplante aconteça tarde demais.

Quem pode precisar de um transplante hepático?

O transplante pode ser considerado em diferentes doenças e contextos.

01

Cirrose descompensada

Quando a doença hepática provoca complicações importantes ou perda progressiva da função do fígado.

02

Carcinoma hepatocelular

Em pacientes selecionados, o transplante pode tratar ao mesmo tempo o tumor e a doença hepática subjacente.

03

Insuficiência hepática aguda

Em algumas situações, uma lesão grave do fígado pode evoluir rapidamente e exigir avaliação urgente para transplante.

04

Outras doenças hepáticas

Determinadas doenças colestáticas, metabólicas, vasculares e outras condições podem levar à indicação de transplante em contextos clínicos bastante diferentes.

Não existe um único exame ou diagnóstico que, isoladamente, determine quem precisa de transplante.

O que acontece durante a avaliação para transplante?

A avaliação não serve apenas para verificar “se o fígado está ruim o suficiente”.

Ela procura responder a duas perguntas fundamentais:

O transplante pode trazer benefício para esta pessoa?

É possível realizá-lo com segurança aceitável?

Por isso, diferentes aspectos são avaliados em conjunto.

01

A doença do fígado

É preciso compreender o diagnóstico, a gravidade da doença, as complicações já apresentadas e as possibilidades de tratamento existentes.

02

Coração e pulmões

O transplante é uma cirurgia de grande porte e exige avaliação cardiopulmonar adequada.

03

Função renal e outras condições clínicas

Doenças associadas podem influenciar tanto o planejamento quanto os riscos do procedimento.

04

Nutrição, massa muscular e capacidade funcional

O estado nutricional, a perda de massa muscular e a fragilidade também fazem parte da avaliação e podem demandar intervenções durante a preparação.

05

Infecções e prevenção

Vacinação, investigação de infecções e outros cuidados preventivos fazem parte desse processo.

06

Aspectos psicossociais

Adesão ao tratamento, compreensão do processo, suporte familiar e social e outras condições que possam interferir no cuidado também são avaliados.

A avaliação para transplante olha para o paciente inteiro — não apenas para o fígado.

O que é o MELD?

O MELD é um escore calculado a partir de exames laboratoriais que ajuda a estimar a gravidade da doença hepática e o risco de mortalidade em curto prazo. Por refletir essa gravidade, também é utilizado como uma das ferramentas para auxiliar na priorização dos pacientes para transplante.

Mas o MELD não é sinônimo de indicação de transplante.

Algumas pessoas podem apresentar complicações importantes mesmo com valores relativamente baixos, enquanto outras situações possuem critérios próprios de avaliação e priorização.

As normas que definem a elegibilidade para o transplante são regulamentadas pelo Sistema Nacional de Transplantes, que estabelece critérios para inscrição, priorização e situações específicas.

Por isso, o MELD é uma ferramenta importante, mas não substitui a avaliação clínica individualizada.

Ser avaliado significa entrar na lista de transplante?

Não.

A avaliação é justamente o processo que permite determinar se existe indicação de transplante e se aquele é o momento adequado.

Depois de reunir as informações necessárias, a equipe transplantadora analisa o caso.

Dependendo da situação, o paciente pode ser incluído em lista, pode precisar realizar tratamentos ou avaliações adicionais antes disso ou pode permanecer em acompanhamento até que exista indicação para inclusão.

  1. Avaliação
  2. Indicação
  3. Inclusão em lista

O que acontece enquanto a pessoa aguarda?

O acompanhamento continua.

O objetivo é tratar as complicações da doença hepática, manter a melhor condição clínica possível e identificar mudanças que possam modificar o planejamento do transplante.

01

Controle das complicações da cirrose

Ascite, encefalopatia, hipertensão portal e outras complicações continuam sendo tratadas.

02

Nutrição e atividade física quando possível

Preservar a massa muscular e a capacidade funcional também faz parte da preparação.

03

Acompanhamento do carcinoma hepatocelular quando presente

Em alguns pacientes, tratamentos podem ser realizados enquanto se aguarda o transplante.

04

Atualização de exames e avaliações

A condição clínica pode mudar ao longo do tempo e precisa ser reavaliada.

05

Vacinação e prevenção de infecções

A preparação também inclui medidas destinadas a reduzir riscos antes e depois do transplante.

O período de espera também é um período de cuidado e preparação.

De onde vem o fígado utilizado no transplante?

Doador falecido

Grande parte dos transplantes utiliza órgãos provenientes de doadores falecidos.

A distribuição dos órgãos segue critérios definidos pelo Sistema Nacional de Transplantes, considerando fatores como compatibilidade, gravidade e critérios específicos de priorização.

Doador vivo

Em situações selecionadas, o transplante pode ser realizado utilizando parte do fígado de um doador vivo.

Como o fígado possui capacidade de regeneração, uma parte do órgão pode ser transplantada para o receptor, enquanto o fígado remanescente do doador também se recupera.

A possibilidade de transplante intervivos exige avaliação rigorosa tanto do receptor quanto, especialmente, do potencial doador, e deve ser realizada por equipes e centros com experiência adequada.

A possibilidade de transplante com doador vivo precisa ser avaliada individualmente por uma equipe transplantadora experiente.

E depois do transplante?

O transplante não encerra o acompanhamento.

Depois da cirurgia começa uma nova fase do cuidado.

Imunossupressão

Medicamentos são utilizados para reduzir o risco de rejeição do órgão transplantado e precisam ser acompanhados e ajustados ao longo do tempo.

Monitoramento do fígado transplantado

Exames ajudam a avaliar o funcionamento do enxerto e identificar possíveis complicações.

Prevenção e tratamento de complicações

Infecções e alterações renais, metabólicas, cardiovasculares e outras condições também fazem parte do acompanhamento de longo prazo.

Cuidado contínuo

Vacinação, prevenção de câncer, saúde cardiovascular, controle metabólico e hábitos de vida continuam importantes.

O transplante substitui um fígado doente, mas não elimina a necessidade de cuidado médico ao longo da vida.

Quando procurar avaliação especializada?

A avaliação especializada pode ser importante quando surgem sinais de progressão da doença hepática ou situações em que o transplante começa a fazer parte das possibilidades de tratamento.

  1. 01

    Primeira descompensação da cirrose

    Como aparecimento de ascite, encefalopatia ou sangramento relacionado à hipertensão portal.

  2. 02

    Ascite recorrente ou de difícil controle

  3. 03

    Deterioração da função hepática

  4. 04

    Carcinoma hepatocelular em situação potencialmente transplantável

  5. 05

    Insuficiência hepática aguda

  6. 06

    Recomendação prévia de avaliação em um centro transplantador

Discutir transplante no momento adequado não significa antecipar a cirurgia. Significa não perder o momento de avaliá-la.

Dúvidas frequentes sobre transplante hepático

O transplante é uma possibilidade que precisa ser discutida no momento certo.

Entender a doença hepática, sua evolução e as alternativas disponíveis permite reconhecer quando a avaliação para transplante deve fazer parte do plano de cuidado.

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