Dra. Fabiana OlivettiHepatologia

Saúde do fígado Esteatose hepática

Esteatose hepáticaEntender o achado é o primeiro passo para cuidar do fígado.

A esteatose hepática, conhecida como “gordura no fígado”, é um achado frequente em exames de imagem.

Mas encontrar gordura no fígado não significa a mesma coisa para todas as pessoas.

A avaliação especializada ajuda a compreender por que a esteatose está presente, quais fatores podem estar contribuindo e, principalmente, se existem sinais de doença hepática que possam trazer maior risco ao longo do tempo.

Falar pelo WhatsApp

Meu exame mostrou gordura no fígado. E agora?

É comum a esteatose ser descoberta por acaso em uma ultrassonografia, tomografia ou ressonância realizada por outro motivo.

Esse resultado costuma provocar reações muito diferentes. Algumas pessoas ficam preocupadas com a possibilidade de uma doença grave. Outras acreditam que se trata apenas de “um pouco de gordura no fígado” e que não há motivo para preocupação.

Na prática, não é possível chegar a nenhuma dessas conclusões apenas pelo exame de imagem.

A presença de gordura é o início da avaliação — não o final.

O próximo passo é compreender por que ela está presente, quais fatores podem estar contribuindo e qual é o risco individual de doença hepática mais avançada.

Talvez você tenha chegado até aqui porque:

“Descobri gordura no fígado em um ultrassom de rotina.”

“Além da esteatose, minhas enzimas do fígado estão alteradas.”

“Tenho diabetes, colesterol alto, hipertensão ou excesso de peso.”

“Já mudei minha alimentação ou emagreci, mas a esteatose continua aparecendo nos exames.”

O ponto de partida pode ser o mesmo.
O caminho de investigação e acompanhamento nem sempre será.

O que precisamos entender primeiro?

  1. 01

    Entender o achado

    Confirmar o contexto em que a esteatose foi identificada e analisar os exames já realizados.

  2. 02

    Investigar possíveis causas e fatores associados

    Avaliar saúde metabólica, consumo de álcool, medicamentos, suplementos, histórico clínico e outros fatores que possam contribuir.

  3. 03

    Avaliar a saúde do fígado

    Analisar exames laboratoriais e identificar se existem sinais que indiquem maior risco de doença hepática.

  4. 04

    Definir o que precisa ser tratado

    Identificar quais fatores podem ser modificados e quais condições precisam de acompanhamento específico.

  5. 05

    Planejar o acompanhamento

    Definir quais exames precisam ser repetidos e com que frequência, de acordo com o risco individual.

Entender em que ponto estamos ajuda a definir
para onde precisamos ir.

Esteatose hepática não é uma condição única

Esteatose hepática significa que existe um acúmulo aumentado de gordura no fígado. O que precisamos descobrir é por que isso está acontecendo e em qual contexto.

Quando a esteatose está associada a fatores de risco cardiometabólico, como excesso de peso, diabetes, alterações do colesterol ou pressão arterial, pode fazer parte da chamada doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD).

Em algumas pessoas, pode haver também inflamação e lesão das células do fígado, condição denominada esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH).

Mas alterações metabólicas não são a única possibilidade.

O consumo de álcool, alguns medicamentos e outras doenças também podem estar relacionados à presença de esteatose — e diferentes fatores podem coexistir em uma mesma pessoa.

Esteatose, com acúmulo de gordura; inflamação, que pode estar presente; e fibrose, com formação de cicatrizes.

Nem toda pessoa com esteatose evolui para inflamação ou fibrose.
O risco é individual e depende de diversos fatores.

Mais importante do que saber apenas “quanto de gordura existe” é entender o risco para o fígado

A quantidade de gordura observada em um exame de imagem, isoladamente, não determina como a doença irá evoluir.

Algumas pessoas permanecem por muitos anos sem desenvolver doença hepática avançada. Outras podem apresentar inflamação e desenvolver progressivamente fibrose, que corresponde à formação de cicatrizes no fígado.

Existe algum sinal de que este fígado apresenta maior risco de fibrose ou doença avançada?

Essa resposta influencia a necessidade de investigação complementar e também a forma como o acompanhamento será realizado.

É possível apresentar doença hepática relevante mesmo sem sintomas. Além disso, TGO e TGP normais, isoladamente, não são suficientes para excluir a presença de doença mais avançada.

Como avaliamos o risco de fibrose?

Nem todas as pessoas com esteatose precisam realizar os mesmos exames.

A avaliação começa pela história clínica, pelos fatores de risco e pelos exames laboratoriais. A partir dessas informações, podem ser utilizados métodos não invasivos para avaliar a possibilidade de fibrose.

Entre eles estão cálculos realizados a partir de exames de sangue, como o FIB-4, e exames que avaliam características do fígado de forma não invasiva, como a elastografia hepática.

A elastografia tem assumido um papel cada vez mais importante nessa avaliação, pois permite estimar a rigidez do fígado e acrescenta informações relevantes para a estratificação do risco.

Dependendo dos resultados e do contexto clínico, outros métodos podem ser utilizados. A biópsia hepática fica reservada para situações selecionadas, quando pode acrescentar informações importantes para o diagnóstico ou para a decisão terapêutica.

História clínica + fatores de risco + exames laboratoriais

Métodos não invasivos

Avaliação individualizada do risco

O objetivo não é pedir o maior número possível de exames.
É solicitar aqueles que ajudam a responder às perguntas certas para cada paciente.

Depois de entender o risco, podemos definir o tratamento

O tratamento da esteatose não é igual para todos.

Quando existem alterações metabólicas associadas, cuidar da saúde metabólica é parte importante do tratamento do próprio fígado.

Dependendo de cada caso, o plano de cuidado pode envolver mudanças na alimentação, atividade física, redução de peso quando indicada e controle adequado de condições como diabetes, hipertensão e alterações do colesterol.

O consumo de álcool, os medicamentos e suplementos utilizados e outras condições clínicas também precisam ser considerados.

Além disso, atualmente existem tratamentos farmacológicos específicos para grupos selecionados de pacientes com formas mais avançadas da doença hepática esteatótica. Por isso, compreender o estágio da doença e o risco individual tornou-se ainda mais importante para definir a melhor estratégia de tratamento.

Saúde metabólica; hábitos de vida; condições associadas; tratamento individualizado.

Tratar não significa apenas tentar fazer a gordura desaparecer do exame de imagem.

Significa atuar sobre os fatores que favorecem a progressão da doença e proteger a saúde do fígado e a saúde metabólica no longo prazo.

Como vou saber se estou melhorando?

O acompanhamento também faz parte do tratamento.
O objetivo é observar aquilo que realmente importa para cada pessoa ao longo do tempo.

  • Exames laboratoriaisAcompanhar os fatores metabólicos e exames relevantes.
  • Exames de imagemRepetir imagem ou elastografia quando necessário.
  • Evolução clínicaObservar a saúde metabólica e o comportamento da doença hepática.
  • Reavaliação do planoAjustar o cuidado conforme a resposta e o risco individual.
  1. AvaliarEntender sua
    situação atual
  2. TratarImplementar o plano de cuidado
  3. AcompanharMonitorar sua
    evolução
  4. ReavaliarAjustar quando necessário

É assim que uma avaliação pontual se transforma em cuidado longitudinal.

Quando procurar avaliação especializada?

  • esteatose identificada em exames de imagem;
  • alterações persistentes de TGO, TGP, GGT ou outros exames hepáticos;
  • diabetes, obesidade ou múltiplos fatores de risco metabólico associados;
  • suspeita ou evidência de fibrose;
  • consumo de álcool associado à esteatose;
  • dúvida sobre a causa da alteração encontrada;
  • necessidade de compreender o risco individual e definir como o fígado deverá ser acompanhado.

Dúvidas frequentes sobre esteatose hepática

Cuidar da esteatose começa por entender o seu risco individual.

Uma alteração encontrada em um exame é apenas uma parte da história.

Compreender por que a esteatose apareceu, qual é a situação atual do fígado e quais fatores podem ser modificados permite construir um plano de cuidado mais adequado para cada pessoa.

A partir dessa avaliação, é possível definir o que precisa ser tratado, quais exames realmente são necessários e como acompanhar a saúde do fígado ao longo do tempo.

Falar pelo WhatsApp
Dra. Fabiana OlivettiMédica HepatologistaCRM 52-88227-5RQE Hepatologia 39614RQE Clínica Médica 36872